Monday, March 16, 2009

Será que foi porque nós passámos por cá?

De facto há coisas que não funcionam bem e nem sempre reivindicamos eficazmente, sendo comum a adopção de um registo de queixume pouco produtivo.
Infelizmente ainda há que afinar as vozes que clamam por liberdade, igualdade e fraternidade. É um facto.
Escrevo porque tenho uma dúvida.
Se por um lado é legítimo e de louvar que um programa televisivo defenda os fracos e oprimidos, ou seja, vozes que nunca conseguiriam de outra forma ser ouvidas, por outro, e sempre que os louros são ostensivamente colhidos por ‘eles por lá’, pergunto-me: “mas isto é uma brigada intimidatória?!”
Ainda bem que se resolvem questões que perturbam a vida dos cidadãos. Fico genuinamente contente com as reais, aqueles problemas mesmo a sério e importantes. Outros, e aqui admito que possa estar a ser injusto, não passam de palha televisiva (talvez pense assim porque não tenho oito apelidos para pôr no cartão do cidadão).
A informação é entretenimento, o entretenimento é informação. Esperemos que por enquanto permaneçam pelos telefonemas e e-mails, ou como eles por lá dizem ‘os contactos’. Espero que a câmara oculta (também já utilizada) não leve à escuta, e daqui para uma intimidação mais musculada…
Espero que eu por cá não precise (para não ter que a mal desfazer esta minha dúvida) e já agora que eles por lá também não me ‘contactem’ a esclarecê-la.

Sunday, November 23, 2008

Compras na cidade

Glamour, glamour, glamour!!!

Domingo à tarde. Na Praça da Figueira os Skaters são incapazes de demover o bando de pombos que de tão gordos e ligeiramente “blasé” nem uma pena no ar largaram...apesar da imobilidade sentia-se a tensão. Nunca confiei em pássaros, ainda para mais estes nascidos e criados às portas do Martim Moniz.
A feira popular montou arraiais no Rossio, mas que raio...alguém projectou aquilo?! Que maneira mais eficiente de aniquilar uma praça...mas se é para o Pai Natal...
A minha visão sobre esta “minha” cidade é bastante condicionada com quem estou e com quem a partilho. Acredito que se pode ter uma excelente vida em Lisboa. Há excelentes zonas para viver, de quando em quando até dá um ar de cosmopolita e para desfazer quaisquer dúvida tem mesmo um aeroporto no centro da cidade! Há cinema, há teatro, há cafés, há bares, há esplanadas, há lojas e algumas livrarias. Há eléctricos a deslizar pelas ruas. Há a Gulbenkian e há a Ellipse (ok...não tanto em Lisboa).
Lisboa poderá ser o último grande segredo por descobrir da Europa Ocidental. Então estão à espera do quê??? Descumbram-na!
Teme-se que se torne mais uma capital higienizada, mais uma...eu não penso assim. Em vez de um gigantesco Martim Moniz, era bom que a baixa e a cidade no seu todo se tornasse sustentável e não apenas no sentido em voga (é isto e a Fátima Lopes e os Bífidus Activos) mas sim ao nível de usos: trabalhar, viver e sobretudo usar. Uma cidade que nos agarre e que não só sirva para os caprichos decadentes de uns quantos que tendo garantida uma boa reforma lá no Norte, cultivam esta coisa da Lisboa Castiça.
Eu entendo as questões estéticas, só não gosto é de ver velhinhas a vasculhar caixotes do lixo.

E tudo isto porque fiz as minhas compras de Domingo no Pingo Doce da Baixa, um verdadeiro caso de estudo.

Saturday, November 22, 2008

Help yourself.

Feira de Arte, Lisboa, 2008

Convidado a tirar uma "rifa", que na verdade nada mais era que um grande e aleatório boião de auto-ajuda ao nosso dispor, saiu-me escrita na face inversa de um papelinho amarelo fluorescente a frase: "It's not about having, it's all about changing". 
Não me parece que a artista tenha dons premonitórios caso contrário faria vida disso. Agora, se há alguém "superior" (a Entidade), que escolheu este meio para me fazer a mensagem é que já não sei.
A frase também se poderia transmutar para "Change what you have" que também acertaria em cheio.

(E daqui deste lado do muro pergunto: está aí ainda alguém?!)

Wednesday, July 23, 2008

Never enough!

bjork.jpg Crazy image by nmfm

Larguem os gansos, não costurem a roupa no corpo e comecem a tricotar!
Ela está quase aí, pela terceira vez se não me engano... Biquini de tricot?
Vamos esperar e ver.

Friday, June 13, 2008

Void: when enough is enough (Part I)

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Depois dos cartazes, das capas de revistas, das extensas reportagens e artigos, eis o filme!
O problema dos “!!!s” está nos próprios “!!!s”. São “!!!s” e como tal esperamos “!!!s”.
Depois de seis séries torna-se complicado que um único filme sirva de remate à personagem central, às três sidekicks, a Mr. Big e às muito periféricas personagens masculinas.

A prometida “finesse” indumentária é na verdade uma “Las Vegas Extravaganza”; a transformação da casa da Carrie pareceu ter a assinatura do “Querido Mudei a Casa” (sob o efeito de ácidos!); o que fizeram à Samantha (?!); inexistência de relevância na história de Miranda e Steve (pobre coitado, não sobrou dinheiro no guarda roupa para o vestir) tal como nas restantes separações (forjadas para as habituais aproximações HEA); e os amigos gay lá foram emparelhados.

Parece uma coisa forçada, um produto da pressão da indústria cinematográfica, uma corrida contra o tempo e contra a gravidade. Se não havia nada a contar...porquê o esforço?

O livro (que nunca li) parecia uma coisa demasiado ligeira. A série, apesar de tudo, amadureceu as personagens, deu-lhes espaço para evoluírem e uma consequentemente consistência.
O filme deixa a sensação que a casa ficou desarrumada.

O pior é que esta(s) vaca(s) ainda tinha(m) muito leite para dar.*



*A piada era demasiado fácil e por isso irresistível!

Thursday, June 12, 2008

A Santa é nossa!

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Se há coisa que há muito nos habituou a um limbo entre o profano e o sagrado, será sem dúvida o futebol. No entanto, ver uma Nossa Senhora de Fátima XXL no balneário da selecção (no meio de um exagerado buffet de salgadinhos) e uma oração de grupo antes da entrada em campos fez-me pensar: “Não será isto demasiado?”
Eu pensava que no balneário se definiam tácticas e técnicas e que era uma coisa para profissionais especializados o que justificaria os exagerados honorários.
Mas afinal o mister botou a Santa a trabalhar.
Para o Chelsea que leve o candomblé, a Santa está cansada e é nossa.

Wednesday, May 07, 2008

Contradição com tradição

Portishead

Há uns tempos, um artigo do jornal Público reacendia as memórias de um concerto “mágico” realizado há alguns anos (na verdade demasiados) no Festival Sudoeste.
Esta revisitação do passado foi feita por altura do mais recente concerto dos Portishead em Lisboa.
Estava desatento. Para além de só ter tomado conta deste regresso em cima da data, também li todo esse artigo sem me recordar que também eu estive lá.
Os tempos eram outros. Se por um lado as memórias visuais desse período são luminosas, as sonoras são escuras: vozes arrastadas, batidas taquicárdicas, ambientes nebulosos, chuvosos. Esta sombra não era a de uma árvore numa tarde soalheira de Verão mas sim a de um denso e distante ambiente urbano.
Na altura não tínhamos ainda os pequenos leitores de mp3. Os discman e mesmo os walkman reinavam. Ofereciam-se "mixes", ou seja, bandas sonoras para as nossas movimentações quotidianas, para as viagens com os amigos, para as festas.
Os Portishead marcaram a transição de uma realidade protegida do liceu para os primeiros anos da faculdade. Falava-se em trip-hop, “curtia-se” ao som de Tricky, de Massive Attack, Nicolette, Morcheeba, Lamb… Parece agora contraditório que esses tempos luminosos tivessem de ser abafados com uma sonoridade escura, mas compreendia-se o deslumbre pela sofisticação sonora, o chamamento urbano.
Já com leitor de mp3 voltei aos Portishead, quer dizer, o álbum é novo mas nele residem os passados, ou melhor, o Passado. É Primavera, mas o som é de um Inverno distante.
Quanto ao concerto, a razão para a memória adormecida pode residir nos banhos forçados em canais ricos em fosfatos, na excessiva vodka “from the bottle” (acondicionada em garrafa de litro e meio de plástico), nas quebras de tensão, no cansaço, nas noites mal dormidas, no sol em excesso…